Archive for Junho 13th, 2008
Desenvolvimento sustentável está longe da meta, diz IBGE
Fonte: O Estado de São Paulo, 07 de maio de 2008
Números mostram que nos últimos quatro anos os maiores avanços do País ocorreram na área econômica
da Redação - estadao.com.br
Tamanho do texto? A A A A
Veja também:
Brasil não consegue ampliar proteção ao Pantanal, diz IBGE
Consumo de energia no país cresceu 37,37% entre 1995 e 2006
Uso de fertilizantes no País dobrou entre 1992 e 2006
Minc quer restrições de crédito da Amazônia em outros biomas
A avaliação da questão ambiental mostra também alguns retrocessos.”Ainda há uma longa estrada pela frente para o Brasil atingir o ideal previsto em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Comissão Brundtland): um desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”, informa o IBGE.
Com 23 indicadores, divididos segundo os temas atmosfera; terra; água doce; oceanos, mares e áreas costeiras; biodiversidade e saneamento, a dimensão ambiental do IDS é a que mostra o maior número de indicadores ainda negativos ou que se mantêm numa evolução lenta. Além da atualização das informações publicadas em 2004, foi incorporado o dado sobre a emissão de gases do efeito estufa, a partir do inventário publicado em 2004 pelo governo brasileiro. Dentre os indicadores positivos, destacam-se a redução de consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio e o aumento do número de unidades de conservação (UCs) e de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
Os focos de incêndios também sofreram redução entre 2004 e 2006, e a poluição atmosférica mantém sua tendência estacionária, exceto pelo ozônio (O3), cuja concentração continua aumentando. Já a poluição dos rios que cortam as maiores regiões metropolitanas e a das praias mantêm seus níveis elevados, enquanto as quantidades de fertilizantes e agrotóxicos usados na agricultura cresceram, e as apreensões de alguns animais que seriam comercializados ilegalmente também aumentaram.Por fim, indicadores como o desmatamento na Amazônia, que vinham melhorando, sofreram revezes no período mais recente, ao que tudo indica em conseqüência do próprio crescimento econômico. O estudo do IBGE ainda não considera dados mais recentes, revelados pelo Inpe, que comparou a região desmatada da Amazônia com a área do Rio de Janeiro.
Add comment Junho 13, 2008
Reciclar papel pode ter impacto negativo para o meio ambiente
Fonte: O Estado de São Paulo, 07 de maio de 2008
Estudo mostra que produção do papel reciclado pode gerar até seis vezes mais efluentes que a do papel branco
Andrea Vialli
Tamanho do texto? A A A A
Não há evidências que comprovem, com segurança, que o papel reciclado traz menos impactos para o meio ambiente do que o papel branco, segundo os produtores de papel e celulose. Um estudo realizado pela Esalq-USP, baseado na literatura técnica sobre reciclagem de papéis, mostra que a produção de papel 100% reciclado para imprimir e escrever pode gerar um volume de efluentes até seis vezes maior que o papel branco.
Segundo o mesmo estudo, o processo de preparação das aparas para produção de papéis reciclados destinados à impressão e escrita pode levar a um consumo adicional de energia elétrica de até 750 kWh/t, consumo que não ocorre na fabricação do papel branco.
“O processo de fabricação do papel reciclado consome mais água, mais produtos químicos e mais energia elétrica do que o papel branco. Isso porque a fibra reciclada passa por uma etapa a mais de clareamento, para eliminar impurezas, que não existe na produção do papel branco”, afirma Antônio Gimenez, gerente da área de Negócios de Impressão e Conversão da International Paper (IP).
Em média, apenas 25% do papel utilizado para compor o reciclado é pós-consumo, oriundo de cooperativas de catadores. Outros 75% vêm de aparas resultantes do processo produtivo das fábricas, e que comumente voltam ao processo produtivo. No Brasil, 100% do papel produzido vem de florestas plantadas. “É um mito dizer que o papel reciclado salva árvores, pois aqui elas já são cultivadas e para esse fim “, diz Gimenez. A empresa produz em torno de 25 mil toneladas de papel reciclado por ano, em torno de 5% de sua produção total de papel.
“Sustentabilidade na produção de papel é ter perdas mínimas no processo de fabricação, mais do que reciclar as aparas”, diz Humberto Cinque, gerente de sustentabilidade da Votorantim Celulose e Papel (VCP). Segundo ele, mais do que 3% de perda no processo é considerado desperdício.
De acordo com Gustavo Couto, gerente de marketing da Suzano Papel e Celulose, primeira papeleira a produzir reciclado em escala industrial, ambos os papéis podem coexistir no mercado. “A escolha do consumidor pode ser tanto em torno de um papel que retira gás carbônico da atmosfera, com o plantio de árvores para sua produção, e o papel que ajuda a gerar renda para os catadores, com um foco mais social”, diz. Segundo ele, para fazer uma escolha consciente o consumidor deve ficar atento ao selo verde – certificações como o FSC e Cerflor, que atestam o bom manejo das florestas plantadas e respeito às leis trabalhistas – do que se o papel é branco ou reciclado.
DEMANDA
De acordo com Sonia Chapman, diretora presidente da Fundação Espaço Eco, entidade que presta consultoria em análise de ecoeficiência para indústrias de diferentes segmentos, as duas categorias de papel cumprem sua função. “O importante é o uso racional da matéria-prima e energia”, diz. Segundo ela, só produzir papel reciclado não é o caminho. “É a mesma discussão que se tem com os alimentos orgânicos. Se toda a população passar a comer orgânicos, não vai haver terras suficientes para produzir dessa maneira. Não há coleta de lixo urbano que permita só a produção do papel reciclado.”
A reportagem procurou as ONGs de defesa do meio ambiente Greenpeace e WWF, mas elas informaram que não têm uma avaliação técnica sobre o uso de papel reciclado.
A demanda por papel reciclado tem crescido a taxas de 20% ao ano nos últimos seis anos. Com isso, a reciclagem de aparas aumentou em 60,6%. Como nem todo papel é recuperado, já está ocorrendo falta de aparas para finalidades que já consumiam aparas, como a fabricação de embalagens e de papéis sanitários. “A impressão em papel reciclado virou uma espécie de cartão de visitas da responsabilidade corporativa”, diz Luís Fernando Madella, diretor de relações Institucionais da IP.
Ainda assim, está em análise na Câmara dos Deputados o projeto de Lei 2.308/07, que, se aprovado, obrigaria as editoras de livros didáticos a usar 30% de papel reciclado em suas publicações. “Não haveria como suprir essa demanda”, diz Couto, da Suzano.
5 comments Junho 13, 2008
Responsabilidade socioambiental de bancos está abaixo do propagandeado
| Fonte: Idec
RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL |
|||||
| 13 de Fevereiro de 2008 | |||||
| Avaliação realizada pelo Idec demonstra que o consumidor ainda passa por problemas básicos junto aos bancos, como a não entrega de contrato e o não acompanhamento de suas reclamações
Em sua terceira pesquisa sobre responsabilidade social de empresas – as outras duas foram sobre camisetas de algodão e margarinas e achocolatados -, o Idec avaliou o discurso dos oito maiores bancos de atuação nacional (com mais de 1 milhão de clientes, exceto os estaduais) e o resultado não surpreendeu: os melhores colocados (ABN Amro Real e Bradesco), obtiveram apenas a classificação “regular”; os piores (Santander e Unibanco), ficaram pouco acima da pior classificação, “péssimo”, no limiar da nota “ruim”; já no bloco intermediário, na faixa “ruim”, estão, pela ordem, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica e HSBC (veja gráfico). Apesar de estar presente na propaganda e até em produtos do setor financeiro, a parte decisiva onde a responsabilidade social é realmente exercida, na relação com os consumidores, continua mal. O estudo (acesse a íntegra aqui), com 69 questões, avalia também a atuação dos bancos em relação aos trabalhadores e ao meio ambiente. Juntamente com o bloco de questões Consumidores (que representou 40% da nota final), Trabalhadores e Meio Ambiente (com 30% da nota cada) compuseram as notas utilizadas na pontuação. Se considerarmos a pontuação por cada bloco de questões (confira tabela), os resultados são os seguintes: no primeiro bloco, Trabalhadores, o mais bem avaliado foi o Itaú, enquanto o pior foi o Unibanco; já no bloco Meio Ambiente, a melhor colocação ficou com o ABN Amro, e apior, com o Santander; no bloco Consumidores, cuja avaliação também se baseou em resultados de cinco pesquisas de campo, já publicadas na Revista do Idec ao longo de 2007, o melhor colocado foi o Banco do Brasil, e os piores, Unibanco, Santander, HSBC e Itaú. O estudo, exceto na parte referente aos Consumidores, se baseou na resposta das próprias instituições, de modo que não cabem críticas dos bancos às suas notas finais, alegando que o Idec não considerou tais políticas ou produtos e serviços. Por ser a primeira pesquisa do Idec sobre o tema, junto ao setor financeiro, é possível prever que os critérios para as próximas avaliações serão ainda mais rígidos. Para desenvolver o estudo, o Idec contou com a colaboração de algumas instituições parceiras, como Amigos da Terra, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), DIEESE, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Centro de Pesquisa de Empresas Multinacionais da Holanda (SOMO), entre outras. Para a próxima avaliação, o Idec pretende desenvolver um trabalho ainda mais sistematizado com essas instituições. |
|||||
1 comment Junho 13, 2008
Ações de sustentabilidade têm resultados modestos
Fonte: O Estado de São Paulo, 26 de março de 2008
Consultoria diz que investimento das empresas ainda tem pouco impacto
Nilson Brandão Junior, RIO
O Brasil está mais avançado do que outros grandes países emergentes, como Índia e China, em ações ligadas ao desenvolvimento sustentável. Mas, a despeito dos esforços, os resultados concretos ainda são modestos. A análise foi feita pela gerente da área de economias emergentes da consultoria SustainAbility, Jodie Thorpe, que participa hoje, no Rio, de um evento sobre o assunto. Ela também alerta que, de forma geral, ações pouco consistentes de sustentabilidade no mundo podem vir a ser afetadas pela crise econômica internacional.
“O Brasil está na frente. Há alguns bons exemplos no País de ações que até se destacam globalmente. Algumas empresas fazem um excelente trabalho. Mas ainda se vê que a grande maioria das companhias discute esse assunto, faz relatórios, se interessa, cria departamentos, mas suas ações ainda não tiveram impacto efetivo”, diz. O evento Sustentável 2008, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), reunirá especialistas e executivos de grupos que investem nessa área.
Na avaliação do presidente do CEBDS, Fernando Almeida, as empresas já estão fazendo bastante, mas “todo esse investimento ainda não foi suficiente para mudar a tendência”. Ele pondera que, na prática, o assunto está difundido apenas numa “certa elite” empresarial, de especialistas ou grupos ligados ao assunto. O próprio tema da sustentabilidade parece difícil de se explicar, porque envolve uma série de conhecimentos e áreas dentro das empresas.
“É sinônimo de sobrevivência. É quando você consegue ter as três dimensões de um negócio, a econômica, social e ambiental, unidas e sem atropelo de uma pela outra. Hoje, a dimensão econômica atropela as demais”, diz Almeida. Jodie comenta também que ações rotuladas como sustentáveis tendem a ser afetadas pela crise global. “Acredito que, com a alarmante crise econômica nos EUA e na Europa, veremos algumas coisas que são apresentadas como ‘sustentabilidade’ caírem por terra. Mas as iniciativas que são realmente estratégicas irão sobreviver à crise.”
Jodie argumenta que a nova concepção já ganha espaço em países emergentes. “Empresas foram capazes de assimilar tendências globais, desde a crescente escassez de água, petróleo e outros recursos naturais até as necessidades particulares de diferentes segmentos da população, e foram capazes de criar processos e produtos inovadores como resultado”, diz ela. No Brasil, ela cita iniciativas do ABN Real, Natura e Amanco, dentre outras.
O Real criou, por exemplo, um espaço para compartilhar experiências com parceiros e o público externo, uma espécie de fórum para a troca de conhecimentos sobre o assunto. A Amanco adaptou sistemas de irrigação para pequenos produtores rurais. No caso da Aracruz Celulose, um dos objetivos traçados no plano de sustentabilidade é conservar a biodiversidade nos 154 mil hectares de reservas nativas da empresa, assim como a ampliação dessas áreas. Além disso, a empresa definiu a “busca por uma solução estável e juridicamente segura para a disputa de terras com as comunidades indígenas do Espírito Santo”, o que acabou sendo alcançado, segundo a empresa, com a assinatura de um acordo em dezembro de 2007.
Add comment Junho 13, 2008
Comunicação e sustentabilibade ambiental: como implantar na sua empresa?
Carla Soares Martin e Marianna Senderowicz
De informação sobre o meio ambiente e a sustentabilidade socioambiental estamos bem-servidos pelos meios de comunicação. Na hora de olhar para dentro, neste 05/06, Dia Mundial do Meio Ambiente, alguns deles dão dicas de como estão atuando pela sustentabilidade do planeta. O Comunique-se conversou com jornalistas e empresas de comunicação que sugerem formas de você também adotar essa nova consciência ambiental.
Para começar, fica a sugestão do jornalista André Trigueiro, apresentador da Globo News: “As empresas são as pessoas”. Ou seja: as melhores atitudes são justamente aquelas que transformam um lugar pela mudança de cada um, seja em casa, na empresa onde trabalha ou no País. Aqui, você encontrará experiências de três empresas de comunicação – Globo News, no Rio; Rádio Eldorado, do Grupo Estado, em São Paulo; e TV BandNews, no Rio Grande do Sul e, principalmente, de seus jornalistas.
Globo News
Não foram poucas as vezes que o jornalista André Trigueiro, apresentador do Jornal das Dez, da Globo News, carregou em seu carro folhas sulfite A4, usadas pela redação, para levar à reciclagem por meio da Cooperativa de Catadores da Praça Onze, no Rio de Janeiro. Doava o material que ia para o lixo. Depois, afixava no mural da empresa quantos quilos de material tinha dado e o valor que fora doado para a cooperativa. “Um recurso que as pessoas não dão valor”, disse Trigueiro. Essa foi apenas uma das inúmeras ações que uma “equipe de jornalistas conscientes” desempenhou na Globo News. “Tem sempre um grupo sensível a essas questões”, afirmou.
O Clube da Caneca foi outra atitude proposta pelo jornalista. Trigueiro simplesmente passou a trazer canecas para quem quisesse trocar o copinho de plástico por elas. O âncora deu cerca de 15 canecas e, depois, outros jornalistas passaram a trazer de casa também.
“A história da caneca foi uma brincadeira que deu certo. Tem o aspecto lúdico, de criança. Todo mundo queria ter a sua. Foi uma onda boa”, comentou Trigueiro que, acrescenta, nunca obrigou ninguém a participar do Clube da Caneca.
Mais uma atividade impulsionada pelo grupo de jornalistas ligados a Trigueiro foi o fim das impressões para ler o off das reportagens. “Agora, lêem pela tela do computador”, afirmou. “Não é uma mudança drástica, sacrificante, é uma simples mudança do dia-a-dia”, acrescenta.
Hoje, André Trigueiro também é editor-chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News, e comentarista da Rádio CBN, com o Mundo Sustentável, bloco de mesmo nome do site que Trigueiro toca na internet.
O Cidades e Soluções neutralizou os gases do efeito estufa que consome com o plantio de mudas da mata atlântica — um programa do Iniciativa Verde.
BandNews
Há aproximadamente um mês, a Band-RS também neutraliza as emissões de dióxido de carbono do programa BandNews Porto Alegre 1ª Edição, que vai ao ar de segunda a sexta, das 9h às 11h. A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo de preservação ambiental, que há oito anos instituiu medidas como uso racional de água e energia elétrica e também já trabalha com separação do lixo e descarte correto de pilhas e baterias.
“A Bandeirantes não se propõe a se transformar numa empresa 100% ambientalmente correta, mas já vem tomando em âmbito nacional e local algumas providências relacionadas a este tema”, conta Renato Martins, diretor de Jornalismo.
Para implementar a neutralização, mais de 200 mudas de árvores nativas serão plantadas por ano para compensar a emissão da substância. Elas serão distribuídas em oito áreas de preservação definidas pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). “Ao final deste ano, o primeiro lote de árvores já será plantado. Como iniciamos o projeto em abril, esse plantio será proporcional”, explica Martins.
A emissão a ser neutralizada é calculada a partir da energia elétrica consumida, da utilização de veículos nas reportagens e da geração de resíduos sólidos e líquidos, como papel, copos plásticos, café, entre outros.
O retorno já compensa o investimento. Segundo Martins, no dia seguinte ao lançamento do projeto, a emissora recebeu dezenas de e-mails, telefonemas e fax pedindo mais informações sobre o processo. “Órgãos ambientais entraram em contato conosco e teremos vários encontros, palestras e exposições nos próximos meses para continuar a contagiar positivamente as pessoas, sem falar dos inúmeros cases que coletamos para a realização de reportagens todo o dia.” O comunicador se diz animado com a proposta: “Ao levarmos essas atitudes para o ar, queremos contagiar positivamente os ouvintes. Queremos dar holofotes para essas ações que pensam, acima de tudo, na qualidade de vida de quem vive nesse planeta. Se depois de ouvir a BandNews uma única pessoa começar a separar o lixo já será uma vitória”.
Rádio Eldorado
A Rádio Eldorado, em São Paulo, foi a emissora que ficou contagiada pela “demanda da audiência”, como explica Paulina Chamorro, coordenadora de meio ambiente e cidadania da empresa.
Como a rádio começou há 20 anos a falar de meio ambiente, chegou um momento em que os próprios ouvintes pediram algo mais. Surgiu a idéia do Pintou Limpeza. Em seu início, em 2000, os ouvintes podiam separar o material reciclado e levar para os postos de gasolina Aster. Até que o projeto tomou outro rumo: são 16 Postos de Entrega Voluntária. Os postos foram criados porque a população soube do projeto pela rádio, pelo site ou pelo boca-a-boca e quis participar do processo de reciclagem.
A emissora fica no papel de educadora ambiental, por meio de boletins na rádio e palestras, nos locais que se propõem a ser postos de coleta. Pode ser uma escola, um comércio, uma entidade – qualquer lugar que tenha suporte para fazer a coleta seletiva. Teve escola estadual, a Augusto Meirelles, da Casa Verde, Zona Norte de São Paulo, por exemplo, que conseguiu montar uma sala multimídia, e casa de ação social, a Associação Dom Bosco, que comprou três máquinas digitais com o dinheiro do material reciclado, que ia, literalmente, para o lixo.
A Eldorado orienta os locais a buscarem os coletores e destinarem o material reciclado para quem quer que seja, para doação ou venda. “Fazemos as ações de conscientização”, diz Paulina. “Queremos que esses conceitos sejam absorvidos por toda a população.”
E já estão sendo. No centro automotivo Bovema, oficina de reparação de veículos no Paraíso, é sucesso entre mulheres entre 60 a 80 anos. “Senhoras vêm com carrinho de feira, colaboram, deixam aqui o material”, conta Ingrid Filard, dona da loja. “No começo (há quatro anos), demorava para encher o contêiner. Hoje, o número tem aumentado”, complementa o marido, Ayrton Filardi.
Papel do Jornalista
André Trigueiro conta que a maioria das ações na Globo News foi levantada pelos próprios jornalistas e que eles têm uma grande responsabilidade na implantação de políticas pela sustentabilidade em suas empresas.
Trigueiro defende, por exemplo, a criação de cursos em sustentabilidade e meio ambiente nas faculdades. “Somos analfabetos ambientais”, afirmou. Ele é criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ.
Sobre a importância do jornalista como representante de um movimento pela sustentabilidade, Trigueiro foi taxativo: “Não consigo imaginar um jornalista consciente sem aprender com o que faz. Não se pode achar normal um jornalista que teve a chance de conhecer um lixão, o cheiro do chorume (líquido resultante da decomposição do lixo junto com o gás metano), por exemplo, e não se transformar. É difícil você não se transformar”, afirmou.
Add comment Junho 13, 2008