O novo lugar de trabalho

novembro 3, 2009 at 6:11 pm Deixe um comentário

Elisa Tozzi
Revista Você S/A – 10/2009

Há pouco mais de um ano, o engenheiro automobilístico Franco Fodor, de 41 anos, resolveu deixar o cargo charmoso de diretor regional de vendas das marcas Jaguar e Land Rover na América Latina e abrir com um sócio uma empresa de turismo ambiental. “O mundo corporativo não me realizava mais.

Eu precisava enfrentar e vencer novos desafios”, diz. Em vez de ir a um escritório próprio ou de trabalhar em casa, Franco vai todos os dias para um galpão de 500 m2, na região central de São Paulo, onde aluga uma mesa, abre seu notebook e cumpre suas tarefas.

O novo local de trabalho de Franco chama-se The Hub São Paulo, um espaço para microempreendedores, consultores, profissionais independentes e pequenas empresas montarem sua base de operações. Tem biblioteca, cozinha, acesso à internet e até um balanço para repouso.

O aluguel varia de 50 a 660 reais por mês, dependendo do número de horas contratadas, e fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h. Hoje, o lugar abriga cerca de 130 profissionais de diversas áreas – de economistas a designers. Para se tornar um membro, existe um único pré-requisito: “Comprovar que seu trabalho tem comprometimento com a transformação social ou ecológica do planeta”, diz Maria Piza, coordenadora do The Hub São Paulo.

Criado em Londres, na Inglaterra, em 2005, o conceito de escritório coletivo já está em 12 cidades do mundo. Em São Paulo, o espaço foi aberto em agosto de 2008, trazido pelo argentino Pablo Handl, seguindo os ideais originais: reunir desenvolvimento sustentável e trabalho colaborativo.

O Hub sintetiza um jeito contemporâneo de encarar o trabalho, que une independência, empreendedorismo e preocupação com o futuro do planeta. É possível organizar seus clientes em dois tipos de trajetória profissional. De um lado estão engenheiros, administradores, advogados. São pessoas que vieram de empregos convencionais em busca de maior realização profissional.

No caminho inverso, estão profissionais de áreas diversas, como biólogos, publicitários, designers. Antes, esse grupo recebia do primeiro o rótulo de alternativo. Hoje, a quantidade de oportunidades de trabalho e negócios com fundo socioambiental é suficiente para permitir que um profissional enxergue uma perspectiva de carreira de mais longo prazo na área. “Vi na sustentabilidade uma oportunidade de mercado”, diz a administradora paulistana Taís Carolina Lucilio da Silva, de 30 anos. Ela trocou uma carreira de dez anos como vendedora para montar uma consultoria de marketing para empresas verdes e desenvolver uma marca de roupas ecologicamente correta. “Apesar de ter um bom crescimento na minha carreira, chegou um momento em que percebi que precisava de satisfação pessoal”, diz Taís.

A facilidade de fazer contatos é um dos grandes atrativos do Hub. Todos os dias, às 5 da tarde, Maria, a coordenadora, convoca quem estiver no local para uma pausa regada a café, biscoitos e discussões. A cada encontro um dos frequentadores fala sobre seu projeto, mostra quais problemas enfrenta, recebe sugestões e orientações dos participantes. “Estimulamos as conexões entre membros”, diz Maria. “No Hub, posso trocar experiências com profissionais que têm uma visão de mundo semelhante a minha”, diz a advogada Barbara da Costa Pinto Oliveira, de 32 anos, que criou uma consultoria de treinamento e gestão focada em sustentabilidade.

Essa integração foi fundamental para Douglas Siqueira, de 41 anos, economista e administrador. À frente da ONG Navega São Paulo, que estimula políticas e práticas para despoluir o Rio Tietê, ele usa o Hub como escritório e contata os profissionais que o cercam para desenvolver seu projeto. Numa das ações recentes da ONG, Douglas contou com o auxílio de uma assessoria de imprensa, de uma profissional que trabalha com créditos de carbono e de uma pequena equipe de eventos que trabalham no Hub. “A ação só foi possível graças a esses profissionais”, diz.

Além do compromisso com a sustentabilidade, os membros do Hub têm outra característica em comum: a vocação empreendedora. Douglas é um ótimo exemplo. Com uma carreira estabelecida na área de marketing, já deixou o emprego para abrir um bar e, depois, para administrar a Navega São Paulo. “Criar está no meu DNA”, diz.

O fomento ao empreendedorismo não fica restrito aos membros. Diretores de instituições como Amana Key e banco Santander participam do projeto de coaching coletivo Vitamina C, que coloca frente a frente empresários e empreendedores. O objetivo é fazer com que do encontro surjam novas práticas empresariais. “As empresas nos procuram porque aqui têm fácil acesso a ideias inovadoras”, explica Maria Piza.

DEPOIMENTOS

Franco Fodor, 41 anos, engenheiro
“Deixei o cargo de gerente regional da Jaguar para montar minha consultoria. Nada é mais importante do que qualidade de vida e poder inovar”

Taís Carolina Lucilio da Silva, 30 anos, administradora
“Comecei a calcular e notei que iniciativas sustentáveis não são tão caras quanto parecem. É possível montar um negócio verde lucrativo, por isso investi numa marca de roupas ecológicas”

Douglas Siqueira, 41 anos, economista e administrador
“Sempre fui empreendedor. No Hub tenho contato diário com diversos tipos de projetos e me sinto ainda mais estimulado a criar. Isso faz com que eu esteja sempre revisando meus conceitos”

Barbara da Costa Pinto Oliveira, 32 anos, advogada
“Poucos têm conhecimento amplo sobre sustentabilidade. É preciso entender as implicações ambientais, sociais e econômicas da questão. Há muito espaço neste mercado”

QUER SE TORNAR UM MEMBRO?
Inscreva-se no site ou leve seu projeto pessoalmente ao The Hub São Paulo. Rua Bela Cintra, 409, Consolação, São Paulo-SP. Tel (11) 3539-8574.

Há pouco mais de um ano, o engenheiro automobilístico Franco Fodor, de 41 anos, resolveu deixar o cargo charmoso de diretor regional de vendas das marcas Jaguar e Land Rover na América Latina e abrir com um sócio uma empresa de turismo ambiental. “O mundo corporativo não me realizava mais.

Eu precisava enfrentar e vencer novos desafios”, diz. Em vez de ir a um escritório próprio ou de trabalhar em casa, Franco vai todos os dias para um galpão de 500 m2, na região central de São Paulo, onde aluga uma mesa, abre seu notebook e cumpre suas tarefas.

O novo local de trabalho de Franco chama-se The Hub São Paulo, um espaço para microempreendedores, consultores, profissionais independentes e pequenas empresas montarem sua base de operações. Tem biblioteca, cozinha, acesso à internet e até um balanço para repouso.

O aluguel varia de 50 a 660 reais por mês, dependendo do número de horas contratadas, e fica aberto de segunda a sexta, das 8h às 20h. Hoje, o lugar abriga cerca de 130 profissionais de diversas áreas – de economistas a designers. Para se tornar um membro, existe um único pré-requisito: “Comprovar que seu trabalho tem comprometimento com a transformação social ou ecológica do planeta”, diz Maria Piza, coordenadora do The Hub São Paulo.

Criado em Londres, na Inglaterra, em 2005, o conceito de escritório coletivo já está em 12 cidades do mundo. Em São Paulo, o espaço foi aberto em agosto de 2008, trazido pelo argentino Pablo Handl, seguindo os ideais originais: reunir desenvolvimento sustentável e trabalho colaborativo.

O Hub sintetiza um jeito contemporâneo de encarar o trabalho, que une independência, empreendedorismo e preocupação com o futuro do planeta. É possível organizar seus clientes em dois tipos de trajetória profissional. De um lado estão engenheiros, administradores, advogados. São pessoas que vieram de empregos convencionais em busca de maior realização profissional.

No caminho inverso, estão profissionais de áreas diversas, como biólogos, publicitários, designers. Antes, esse grupo recebia do primeiro o rótulo de alternativo. Hoje, a quantidade de oportunidades de trabalho e negócios com fundo socioambiental é suficiente para permitir que um profissional enxergue uma perspectiva de carreira de mais longo prazo na área. “Vi na sustentabilidade uma oportunidade de mercado”, diz a administradora paulistana Taís Carolina Lucilio da Silva, de 30 anos. Ela trocou uma carreira de dez anos como vendedora para montar uma consultoria de marketing para empresas verdes e desenvolver uma marca de roupas ecologicamente correta. “Apesar de ter um bom crescimento na minha carreira, chegou um momento em que percebi que precisava de satisfação pessoal”, diz Taís.

A facilidade de fazer contatos é um dos grandes atrativos do Hub. Todos os dias, às 5 da tarde, Maria, a coordenadora, convoca quem estiver no local para uma pausa regada a café, biscoitos e discussões. A cada encontro um dos frequentadores fala sobre seu projeto, mostra quais problemas enfrenta, recebe sugestões e orientações dos participantes.
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